O ESPAÇO E SEUS SISTEMAS DE REPRESENTAÇÃO
Parte 1
Atualmente há uma percepção mais nítida dos
métodos de representação típicos das culturas do passado e das que existem hoje
no mundo. Assim os artistas podem desenvolver uma tônica para o seu trabalho a
partir de um amplo leque de abordagens estilísticas e interpretativas dentro de
muitos sistemas alternativos de representação visual.
(SMITH, 1996, p. 8)
Baixo relevo A Batalha de Til-Tuba, Assíria.
A imagem abaixo mostra Khnumhotem – o morto a quem o túmulo é dedicado – em dois momentos: um de caça e outro de pesca. O tamanho desproporcional de Khnumhotem frente aos outros personagens na cena deve-se a sua posição social e não pela disposição em profundidade dos personagens no espaço pictórico.
Mural do túmulo de Khnumhotep (1900 a.C.)
Segundo Gombrich, era mais importante para o artista egípcio representar seus motivos a partir do ângulo mais característico e com a maior clareza possível. Tanto que os artistas desenhavam de memória e de acordo com regras estritas. A principal delas podemos chamar de “lei da frontalidade”.
Tudo tinha
que ser representado a partir de seu ângulo mais característico.
Representavam
tudo com a maior clareza possível.
Desenhavam
de memória e de acordo com regras estritas.
(GOMBRICH, 1999, p. 60 / 61)
O jardim de Nebamun (1400 a.C.)
As árvores estão
posicionadas ao redor do tanque, mas estão de frente para o observador.
O tanque é visto de
cima. Os pássaros e os
peixes são vistos de lado.
(GOMBRICH, 1999, p. 60)
Na arte grega arrefecia a busca por mostrar tudo que o artista sabia
existir no motivo a ser representado.
Já não pensava que tudo o que ele sabia estar ali tinha forçosamente que
ser mostrado.
(GOMBRICH, 1999, p. 81)
A despedida do guerreiro (510-500 a.C.)
Crescia a percepção da profundidade e sua representação na superfície
bidimensional. O surgimento do escorço entre os gregos denunciava de alguma
forma que a representação realista do espaço começava a ser um problema a ser
resolvido pela a arte.
Os pintores
compreenderam o que seus olhos realmente viam e fizeram a descoberta do
escorço.
(GOMBRICH, 1999, p.
81)
Há uma aproximação
possível com a pintura mural da antiguidade no mesmo período.
A pintura arcaica foi essencialmente desenho preenchido com tintas e
cores simples.
(JANSON, 2001, p.151)
Dançarinos etruscos (tumba perto de Tarquínia, Itália – 470 a.C.).
Ainda assim, a
ausência do ponto de fuga na arte da antiguidade demonstra que a representação
do espaço em profundidade ainda era um problema a ser resolvido.
Não se revela a existência de um único ponto de fuga em nenhuma das pinturas antigas que se conservaram.
A arte da Antiguidade Clássica era "uma arte de corpos. Não unia pictoricamente os
vários elementos tridimensionais de maneira funcional e proporcional em uma
unidade especial. Os elementos eram dispostos
tectonicamente ou plasticamente em conjuntos de grupos".
(PANOFSKY, 2010, p. 25)
A maneira de intuir o espaço na antiguidade não exigia um espaço sistemático. As variadas teorias do espaço na antiguidade não o definiram como um sistema de relações entre altura, comprimento e profundidade.
(PANOFSKY, 2010, p. 27)
Abraão e os três anjos (sec. V d.C.): Mosaico de San Vital de Revena - Itália.
Abraão e os três anjos (sec. V d.C.): Mosaico de San Vital de Revena - Itália.
O sistema de
representação espacial mudou pouco até a idade média. Segundo Arnheim, a
sobreposição é uma das técnicas na ilusão de profundidade. Porém, como é
possível verificar na ilustração abaixo, há sobreposição, mas não há profundidade. Não
existe espaço entre as figuras no plano. Estão todas coladas umas às outras.
O sepultamento de Cristo (1250-1300)
Foi Giotto di Bondone
(1267 – 1337) que trouxe a profundidade para o espaço pictórico.
Giotto redescobriu a arte de criar a ilusão de profundidade numa superfície plana.
(GOMBRICH, 1999, p. 201)
Existem ar e espaço entre as figuras no quadro e todas podem movimentar-se.
(GOMBRICH, 1999, p. 202)
Com o trabalho de Giotto começa a superação dos princípios medievais da representação. A superfície pictórica não é a parede ou a mesa na qual as formas de coisas ou figuras singulares são representadas, mas é novamente, apesar de ser limitada por todos os lados, o plano através de qual parece que estamos vendo um espaço transparente.
Com o trabalho de Giotto começa a superação dos princípios medievais da representação. A superfície pictórica não é a parede ou a mesa na qual as formas de coisas ou figuras singulares são representadas, mas é novamente, apesar de ser limitada por todos os lados, o plano através de qual parece que estamos vendo um espaço transparente.
(PANOFSKY, 2010, p. 37)
Cimabue e Giotto
Cimabue e Giotto
Maestà di Santa Trinita, (1280), Uffizi, Florence / Ognissanti Madonna, (1310), Uffizi, Florence











