O ESPAÇO E SEUS SISTEMAS DE REPRESENTAÇÃO
Sistemas de divisão da superfície
As
divisões harmônicas da superfície da imagem nos fazem comparar uma parte com o
todo. (GRAHAM,
2009, p.280)
A PROPORÇÃO ÁUREA
Para que um todo
dividido em partes iguais pareça harmonioso, é preciso que exista entre a parte
pequena e a maior, a mesma relação que existe entre a grande e o todo.
Vitrúvio
(80 a.C. a 15 a.C)
SÉRIE FIBONACCI
1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233
número áureo 1,6180
RETÂNGULO RAIZ DE DOIS
A REGRA DOS TERÇOS
Foi o pintor e gravurista John Thomas Smith (1766 – 1833) quem
definiu o conceito de regra dos terços em seu livro Remarks on
Rural Scenery de 1797.
No capítulo dedicado à “Luz e Sombra”, Smith faz uma análise
sobre a proporção de luz e sombra no quadro, utilizando como exemplo a obra
“Sagrada Família”, produzida no ateliê de Rembrandt. Segundo o autor, o quadro
em questão apresenta aproximadamente um terço de sua superfície iluminada e os
outros dois terços são em maior ou menor intensidade mergulhados na sombra.
Smith faz, então, uma analogia com a divisão proporcional da superfície.
Smith deduz que em uma pintura de paisagem, por exemplo, o
equilíbrio é alcançado pela divisão em terços, sendo que dois terços devem ser
ocupados com um elemento e o um terço restante deveria ser ocupado com outro
elemento.
“Análogo a essa
"Regra dos terços", (se me permite chamá-lo), presumi que, ao
conectar ou quebrar as várias linhas de uma imagem, seria igualmente uma boa
regra fazê-lo, em geral, por um esquema semelhante de proporção; por exemplo,
em um projeto de paisagem, para determinar o céu em cerca de dois terços; ou
então, em cerca de um terço, para que os objetos materiais possam ocupar os
outros dois: Novamente, dois terços de um elemento (como água) e um terço de
outro elemento (como terra); e depois os dois juntos para formar apenas um
terço da imagem, dos quais os outros dois terços devem ir para o céu e as
perspectivas aéreas. Essa regra se aplicaria da mesma forma na quebra de um
pedaço de parede ou em qualquer outra continuação muito grande da linha que
possa ser necessário quebrar ao cruzá-lo ou ocultá-lo com algum outro objeto:
Em resumo, ao aplicar esta invenção, de um modo geral, ou em qualquer outro
caso, seja de luz, sombra, forma ou cor, descobri que a proporção de cerca de
dois terços a um terço ou de um a dois é uma proporção muito melhor e mais
harmonizadora do que a metade formal precisa, ou a muito estendida quatro
quintos - e, em resumo, do que qualquer outra proporção.“ (SMITH, 1797, p. 16.)
É
possível ver exemplos da regra dos terços nos quadros do pintor holandês do
século XVII, Jacob Van Ruisdael (1628-1682). No primeiro exemplo Ruisdael
ocupou praticamente os 2/3 inferiores do espaço com a representação do solo,
restando aproximadamente 1/3 para o céu.
No quadro seguinte, Ruisdael fez exatamente o contrário.
Ocupou 2/3 da parte superior da superfície do quadro com a representação do céu
e deixou 1/3 para o solo.
No último exemplo Ruisdael dividiu o quadro em duas metades. Esquema compositivo que contraria as recomendações de Smith .
MÉTODO DE LORRAIN
O pintor paisagista Claude Lorrain (1600 – 1682) desenvolveu
um engenhoso sistema de divisão da superfície.
“Tratava-se de um quadriculado muito simples que dividia o
retângulo do papel em linhas medianas e suas diagonais. Essa divisão geométrica
possibilitava articular a superfície do quadro de acordo com a composição e o
efeito de profundidade que o artista quisesse sugerir, prescindindo das
exigências mecânicas da perspectiva. ” (ROIG, 2018, p.114)
![]() |
| Claude Lorrain, A Study for a Seaport (recto), c. 1640–41 |
BIBLIOGRAFIA
CURTIS, Brian. Desenho de observação. Porto Alegre: AMGH,
2015.
GRAHAM,
Donald W. Composing Pictures. Los Angeles: Silman-James Press, 2009.
RIBEIRO, Milton. Planejamento Visual Gráfico. Brasília:
Linha Gráfica, 1987.
ROIG, Gabriel Martín. Fundamentos do Desenho Artístico – Aula
de desenho. São Paulo: Martins Fontes, 2018.
SMITH,
John Thomas. Remarks on Rural Scenery (1797). Cópia digital disponível
em: https://archive.org/details/remarksonruralsc00smit/page/n6









