quarta-feira, 18 de setembro de 2019

O ESPAÇO E SEUS SISTEMAS DE REPRESENTAÇÃO

Sistemas de divisão da superfície

As divisões harmônicas da superfície da imagem nos fazem comparar uma parte com o todo. (GRAHAM, 2009, p.280)


A PROPORÇÃO ÁUREA

Para que um todo dividido em partes iguais pareça harmonioso, é preciso que exista entre a parte pequena e a maior, a mesma relação que existe entre a grande e o todo.
Vitrúvio (80 a.C. a 15 a.C)



SÉRIE FIBONACCI

1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233

número áureo 1,6180

RETÂNGULO RAIZ DE DOIS


A REGRA DOS TERÇOS

Foi o pintor e gravurista John Thomas Smith (1766 – 1833) quem definiu o conceito de regra dos terços em seu livro Remarks on Rural Scenery de 1797.
No capítulo dedicado à “Luz e Sombra”, Smith faz uma análise sobre a proporção de luz e sombra no quadro, utilizando como exemplo a obra “Sagrada Família”, produzida no ateliê de Rembrandt. Segundo o autor, o quadro em questão apresenta aproximadamente um terço de sua superfície iluminada e os outros dois terços são em maior ou menor intensidade mergulhados na sombra. Smith faz, então, uma analogia com a divisão proporcional da superfície. 




Smith deduz que em uma pintura de paisagem, por exemplo, o equilíbrio é alcançado pela divisão em terços, sendo que dois terços devem ser ocupados com um elemento e o um terço restante deveria ser ocupado com outro elemento.

 “Análogo a essa "Regra dos terços", (se me permite chamá-lo), presumi que, ao conectar ou quebrar as várias linhas de uma imagem, seria igualmente uma boa regra fazê-lo, em geral, por um esquema semelhante de proporção; por exemplo, em um projeto de paisagem, para determinar o céu em cerca de dois terços; ou então, em cerca de um terço, para que os objetos materiais possam ocupar os outros dois: Novamente, dois terços de um elemento (como água) e um terço de outro elemento (como terra); e depois os dois juntos para formar apenas um terço da imagem, dos quais os outros dois terços devem ir para o céu e as perspectivas aéreas. Essa regra se aplicaria da mesma forma na quebra de um pedaço de parede ou em qualquer outra continuação muito grande da linha que possa ser necessário quebrar ao cruzá-lo ou ocultá-lo com algum outro objeto: Em resumo, ao aplicar esta invenção, de um modo geral, ou em qualquer outro caso, seja de luz, sombra, forma ou cor, descobri que a proporção de cerca de dois terços a um terço ou de um a dois é uma proporção muito melhor e mais harmonizadora do que a metade formal precisa, ou a muito estendida quatro quintos - e, em resumo, do que qualquer outra proporção.“  (SMITH, 1797, p. 16.)

É possível ver exemplos da regra dos terços nos quadros do pintor holandês do século XVII, Jacob Van Ruisdael (1628-1682). No primeiro exemplo Ruisdael ocupou praticamente os 2/3 inferiores do espaço com a representação do solo, restando aproximadamente 1/3 para o céu. 


No quadro seguinte, Ruisdael fez exatamente o contrário. Ocupou 2/3 da parte superior da superfície do quadro com a representação do céu e deixou 1/3 para o solo.


No último exemplo Ruisdael  dividiu o quadro em duas metades. Esquema compositivo que contraria as recomendações de Smith .




MÉTODO DE LORRAIN

O pintor paisagista Claude Lorrain (1600 – 1682) desenvolveu um engenhoso sistema de divisão da superfície.

“Tratava-se de um quadriculado muito simples que dividia o retângulo do papel em linhas medianas e suas diagonais. Essa divisão geométrica possibilitava articular a superfície do quadro de acordo com a composição e o efeito de profundidade que o artista quisesse sugerir, prescindindo das exigências mecânicas da perspectiva. ” (ROIG, 2018, p.114)

Claude Lorrain, A Study for a Seaport (recto), c. 1640–41

BIBLIOGRAFIA

CURTIS, Brian. Desenho de observação. Porto Alegre: AMGH, 2015.
GRAHAM, Donald W. Composing Pictures. Los Angeles: Silman-James Press, 2009.
RIBEIRO, Milton. Planejamento Visual Gráfico. Brasília: Linha Gráfica, 1987.
ROIG, Gabriel Martín. Fundamentos do Desenho Artístico – Aula de desenho. São Paulo: Martins Fontes, 2018.
SMITH, John Thomas. Remarks on Rural Scenery (1797). Cópia digital disponível em: https://archive.org/details/remarksonruralsc00smit/page/n6

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